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por Analice Bonatto, especial para o Saúde Web
Sustentabilidade | 13 de setembro de 2011

Tendência sustentável chega aos edifícios de saúde

Sinônimo de economia e qualidade, construções verdes são demandadas por bem-estar e segurança do paciente
crédito: DANIEL NUNES Fachada do Hospital Municipal de Uberlândia, um exemplo de sustentabilidade com soluções simples

Fachada do Hospital Municipal de Uberlândia, um exemplo de sustentabilidade com soluções simples

Aspectos de bem-estar, segurança e produtividade aliados à redução de custos estão impulsionando a tendência sustentável também na construção dos hospitais brasileiros. Sistema de iluminação, condicionamento de ar, uso racional da água, entre outros recursos voltados ao conforto e controle de riscos aos pacientes já estão presentes em edifícios verdes certificados no País. Delboni Auriemo – unidade Dumont Villares, Fleury Medicina e Saúde e Hospital Israelita Albert Einstein já foram certificados e outros nove prédios estão em processo.

No Brasil, há duas metodologias de certificação: a Leed Healthcare e a Aqua. Em 2010, houve a aprovação do critério americano Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) para hospitais. Segundo Marcos Casado, gerente técnico do GBC Brasil, que concede a certificação, a versão tem critérios específicos, por exemplo, em relação à qualidade do ar e à acústica.

O país já é o quinto no ranking mundial de construções verdes. Em 2006 havia oito projetos, em 2010 foram 231 e este ano a expectativa é de 350, sendo que a certificação sai até seis meses após o término da obra.

Com 35 edifícios aprovados, a Fundação Vanzolini lançou a certificação Aqua para empreendimentos hospitalares no final de 2010.  Ela se baseia em 14 critérios de sustentabilidade divididos em quatro fases: ecoconstrução, ecogestão, conforto e saúde. Isso abrange a concepção, o projeto, a construção e a fase de uso dos empreendimentos.  A certificação ocorre simultaneamente com a realização do empreendimento. Há cerca de cinco clientes em processo de análise, mas que não autorizaram a divulgação.

Para Luiz Henrique Ferreira, presidente da Inovatech, consultoria especializada em projetos sustentáveis para a construção civil, a certificação não envolve apenas a questão ambiental. “Está na moda falar em hospital verde, mas o sustentável busca também elevados níveis de conforto para a saúde.”

Irreversível
Apesar do aumento na demanda, a sustentabilidade ainda é novidade para a maioria dos hospitais e serviços de saúde. “Na verdade, demorou bastante para a arquitetura hospitalar no Brasil entrar na mesma sintonia do resto do mundo. É gratificante ver algumas empresas formadoras de opinião estarem à frente de seu tempo”, ressalta Paola Figueiredo, vice-presidente executiva do Grupo Sustentax, especializado no tema para o universo corporativo.

Para  Marcos Cardone, arquiteto superintendente da Cabe Arquitetura e coordenador do Núcleo de Pesquisa e Estudos Hospital Arquitetura (Nupeha), ainda há um atraso conceitual no País que não permite a percepção de valor financeiro na sustentabilidade. “Como a oferta de recursos naturais diminui e encarece, a opção por ela será feita mais por necessidade do que por consciência ambiental.”

A aplicação na prática já mostra que o politicamente correto é mais lucrativo. Na hora de apresentar o projeto ao corpo diretivo, a princípio, a conversa gira em torno de quanto será gasto e de quanto será o retorno. Um bom argumento é se um hospital verde pode custar até 10% mais caro, também garante um custo operacional, em média, 15% menor.

“A tendência é sempre ver os impactos orçamentários e não os benefícios. Aqui temos o privilégio de o prefeito entender a importância e o benefício de um prédio eficiente”, diz  diretor de projetos públicos da Secretaria Municipal de Política Urbana de Suzano, Elvis José Vieira.

Processo
A Unimed-Rio inaugura um hospital “verde” voltado para procedimentos de média e alta complexidade, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, em 2012. Segundo o gerente de engenharia da unidade de empreendimentos do grupo Rudiner Panisset Junior, a fase inicial do planejamento, ponto-chave neste tipo de construção, envolveu a escolha de materiais sustentáveis como tintas, vidros e equipamentos.
O uso de recursos é determinante no processo. “Há redução de substâncias, como mercúrio em lâmpadas, cádmio, chumbo e cobre”, ressalta Paola Figueiredo. Os pisos também devem ter baixa toxidade e o mobiliário deve ser isento de metais pesados.

A unidade tem um orçamento de R$ 180 milhões, cerca de 10% mais caro. “O investimento imediato é um pouco maior, mas os ganhos são certos em médio prazo”, diz Rudnir sobre o hospital, que terá 225 leitos, sendo 70 voltados à terapia intensiva e semi-intensiva e 11 salas cirúrgicas em 30 mil metros quadrados de área construída.

Depois de obter a certificação Leed na categoria prata – há ainda o básico, ouro e platina -, o hospital precisará mantê-la, mas no meio do processo nasceu a versão específica, a Healthcare. “Já solicitei que avaliem o empreendimento segundo os novos critérios, mais restritivos”, assegura o executivo.

Em 2008, também o Fleury Medicina e Saúde construiu sua unidade Morumbi, em São Paulo, de forma sustentável como parte da percepção de redução de custos. Daniel Marques Périgo, gerente corporativo de sustentabilidade lembra a experiência como grande laboratório. “Durante o processo, percebemos de que maneira é possível otimizar, inclusive, os recursos aplicados na construção.”

Eficácia
Muitos edifícios públicos já trabalham com práticas sustentáveis. Em janeiro, foi entregue o Hospital e Maternidade Municipal Doutor Odelmo Leão Carneiro, em Uberlândia (MG). O conforto do paciente é apontado com uma das grandes vantagens do prédio. “Com o controle de temperatura e luz, temos  um ambiente confortável”, afirma a superintendente da Rede Afiliada da SPDM, Nacime Salomão Mansur.

Para atender a falta de leitos em Divinópolis (MG), uma das regiões mais críticas do Estado, será entregue em 2012 o hospital regional de Divinópolis, inicialmente com 134 leitos, mas com perspectiva para 500. Além do uso racional da água e energia o planejamento do prédio facilita a manutenção. “O porão técnico permitirá a circulação para manutenção hidráulica ou elétrica”, diz o secretário de saúde adjunto de Divinópolis, Gilmar Santos.

Uma das características importantes dos edifícios é a flexibilidade de espaços internos. O ambulatório de Especialidades Médicas do município de Suzano (SP) é um prédio interessante. Durante a obra, uma das preocupações era com o desperdício de material. Com o uso de tecnologias, reduziram em 15% essa perda. Usaram mais vedação drywall de gesso que permitiu maior velocidade e flexibilidade. “Se precisar ampliá-lo, é mais fácil”, enfatiza Elvis José Vieira.

Segundo Paola Figueiredo,  é importante decidir-se pela sustentabilidade já nas fases preliminares do planejamento, para que a construção seja projetada já com esta visão.

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