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Verena Souza Verena Souza
Congresso Mundial | 25 de outubro de 2011

“Não existe possibilidade de redução de custos no Rio”, diz Côrtes

Para o secretário estadual do Rio de Janeiro a promoção do acesso à saúde acaba demandando mais do sistema, que já possui graves distorções de financiamento

Uma visão geral da Saúde do Rio de Janeiro foi apresentada durante a abertura do Congresso Mundial de Assistência Médica da América Latina, ocorrido nesta segunda-feira (24), no Rio de Janeiro.

O Estado tem conseguido promover acesso à saúde por meio das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e Clínicas da Família. Tal estratégia foi responsável pelo atendimento de 45 milhões de pessoas pelas UPAs em 2010. “99% dos casos são resolvidos nas UPAs; os outros são encaminhados para os hospitais”, diz o secretario estadual de saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes. Ao ser indagado sobre oportunidades de redução de custos na saúde, Côrtes foi categórico: “Não acredito na redução de custos no curto prazo, somente quando alcançarmos uma assistência de alto nível. US$ 300 mil direcionados ao setor por ano não é nem razoável. As pessoas antigamente morriam e agora sobrevivem, demandando mais do sistema”.

Países bem menores que o Brasil como Argentina e Chile investem o dobro em saúde, cerca de US$ 600 mil por ano. O secretario enfatizou o desequilíbrio do comparativo dos gastos com saúde pública e privada. O segmento suplementar no País tem investido US$ 800 mil por ano e atende aproximadamente 30% da população – estas também dependentes do SUS em geral de forma indireta; nos serviços de vigilância sanitária, acesso a medicamentos, transplantes de órgãos, entre outros.

Diante da falta de recursos, o modelo eficiente encontrado por Côrtes foi o de gestão compartilhada. Em 2006, os laboratórios do Rio realizavam cerca de 1,2 mil exames, sob um custo de R$ 135 mil. Depois de uma parceria com os laboratórios Dasa, o número passou para 10 mil exames em 2010, a um custo de R$ 42 mil. As parcerias no Estado seguem diferentes modelos, dependendo das necessidades, podendo ser de fundação estatal de direito privado, Organizações Sociais ou gestão compartilhada de empresas privadas com fins lucrativos.

De acordo com o secretario municipal do Rio de Janeiro, Hans Dohmann , em 2006 o Rio de Janeiro não tinha sequer 1% de atenção básica. Dessa forma, a gestão da secretaria foi pautada pela atenção primária. “Agora chegam patologias que, antes, não era registradas no SUS. E não porque certas doenças aumentaram, mas porque as pessoas passaram a ter acesso ao tratamento. A mortalidade de infrato do miocárdio, por exemplo, caiu cerca de 50%”, afirma Dohmann.

O Rio de Janeiro é dividido em 10 regiões, os secretários enfatizaram a construção de uma rede integrada nas regiões por meio das UPAs, clínicas da família e hospitais. A zona oeste do Estado – conhecida como vazio sanitário há anos atrás – agora é a região com o sistema “mais bem composto”.

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