Num cenário de envelhecimento da população, de custos crescentes e e de mercado regulado, as operadoras de saúde precisam de criatividade para criar novos produtos para atender as demandas de mercado. Essa foi a conclusão do painel Inovação dos Seguros Privados de Saúde, realizado na manhã desta última segunda-feira (24) durante o 1º Congresso Mundial de Saúde – América Latina, na cidade do Rio de Janeiro.
Para atender as transformações de mercado, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem direcionado os seus trabalhos em quatro frentes: acesso, qualidade, democratização e financiamento, com busca de medidas que possam contribuir para transformar o modelo de saúde. “Para o setor de saúde tornar-se sustentável é necessária a construção de modelos assistenciais claros; empreendedorismo, para que as soluções venham da sociedade; foco na necessidade de consumidor; alinhamento da cadeia produtiva num patamar superior e custo inferior ,e transparência”, opina o diretor da ANS, Leandro Reis.
Na visão do executivo, modelos de financiamento alternativos ao mutualismo atual serão necessários para garantir o custeio do sistema suplementar de saúde, que hoje conta com 63 milhões de usuários, fatura R$ 72 bilhões por ano e apresenta um custo de R$ 51 bilhões, com índice de sinistralidade em 80%.
Para o presidente da Federação Nacional das Seguradoras de Saúde (Fenasúde), Marcio Coriolano, uma alternativa disponível e que pode ser aplicada no Brasil é o modelo previdenciário norte-americano do Health Acount Savings, em que o usuário faz uma espécie de poupança durante um período de sua vida e pode resgatar o valor sob o pagamento de franquias para utilizar a sua poupança para financiar serviços de saúde. De acordo com o executivo, o modelo foi defendido nos EUA por baratear o custo dos seguros saúde, uma vez que as pessoas mais jovens contribuem por um tempo maior e fazem pouco uso da poupança e por envolver o usuário nas decisões pertinentes ao cuidado com sua saúde. “Este é o ponto mais importante. Como mexe com sua popança, o usuário discute tratamentos, busca alternativas, quer o melhor custo-efetividade, toma decisões mais conscientes e pressiona o setor para ter mais transparência”, assinala. Para funcionar, o modelo dependeria de incentivos fiscais do governo, para não onerar tais poupanças.
Em sua análise, Coriolano defende a adoção do modelo por se já ter um mercado previdenciário regulamentado no País e como forma de aproveitar o momento do bônus demográfico – próximos 20 anos até que a população idosa se iguale à população jovem em tamanho. “A cada dia que passa, ficamos mais atrasados em medidas a serem tomadas para tornar menos impactante o envelhecimento da população”, destaca.
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