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por Jaime Gil Bernardes*
Opinião | 22 de dezembro de 2011

LEAN Manufaturing: mentalidade enxuta nos hospitais

Em artigo, especialista diz que acredita que a filosofia da mentalidade enxuta nasceu para ser aplicada em hospitais

Quanto mais eu leio sobre LEAN Manufaturing (ou Mentalidade Enxuta, ou Sistema Toyota de Produção), mais me convenço que esta filosofia de gestão nasceu para ser aplicada em organizações hospitalares.

Esta filosofia, já amplamente utilizada pelas industrias, já tomou corpo no setor de serviços e somente agora começa a ser pensada pala sua implementação em hospitais, apesar de já ter começado a ser implantado desde a década de 1990.

O LEAN em hospitais é a revolução, é a inovação, é a peça que está faltando para melhorar a gestão nos hospitais (complementada pela Acreditação Hospitalar). Os hospitais ficam no mínimo 10 anos atrasados nos modelos de gestão já utilizados nas indústrias e nos serviços. Algo impede que os gestores pensem pro-ativamente na busca de resultados melhores. Basta ver quanto tempo levou para que os programas de qualidade saíssem das indústrias e chegassem aos hospitais. E as certificações de ISO ou de Acreditação? Muitos hospitais ainda não são certificados, mesmo com os excelentes resultados positivos já alcançados por inúmeros hospitais. A grande maioria dos hospitais ainda não possuem seus processos mapeados, impossibilitando a sua discussão e melhoria.

Os conceitos e princípios do LEAN parecem que foram feitos sob medida para hospitais: determinação de valor ao cliente, análise da cadeia de valor, conscientização do que o cliente quer (saber realmente quem é o cliente), fluxo contínuo e eliminação de gargalos, fazer somente o necessário na quantidade necessária e no momento necessário, análise e eliminação dos focos do desperdícios, saber diferenciar custos necessários de desperdícios, ir até o local onde está o problema e “sentir” porque ele ocorre, não se importar com quem resolva o problema desde que ele seja resolvido, e, principalmente, a melhoria contínua em busca da perfeição.

Muitas outras coisas podem ser ditas, muitas ferramentas são utilizadas, muito treinamento e conversas devem ser feitas, mas esta filosofia de gestão é algo que falta nos hospitais, onde as mesmas coisas são feitas da mesma maneira há muito tempo e não se tem noção do porque os prejuízos se acumulam. É mais fácil ficar na zona de conforto, sem fazer nada que possa fazer a diferença e colocar a culpa nos valores pagos pelo SUS e pelas Operadoras de Planos de Saúde.

Mas o grande foco é mudar a cultura existente de “como se faz”. Em resumo, esta filosofia de gestão procura sempre “fazer mais com menos”. Ou melhor, procura mudar o culturalismo, pois, como já citei em artigo anterior (veja em http://goo.gl/ju2hk), nas organizações hospitalares temos a tendência de classificar tudo que é errado como “cultural”, quando na verdade isso não tem a ver com cultura, no sentido acadêmico da palavra. Mesmo assim, o LEAN tem a intenção de mudar a cultura (e acabar com os culturalismos) em prol de um organização mais produtiva, sem que haja necessidade de investimentos em obras civis ou aquisição de equipamentos, contando apenas com treinamentos e repensar processos.

Algumas iniciativas de hospitais brasileiros já mostram resultados animadores a respeito de diminuição de desperdícios e melhor utilização de sua capacidade instalada com a utilização do LEAN. É sabido que grande parte dos esforços e recursos aplicados na saúde são desperdiçados. É justamente aí que entra o LEAN. E não são só recursos materiais, visíveis. Muitos dos desperdícios são em processos mal feitos, movimentações desnecessárias, informações inadequadas, pessoas não capacitadas, etc.

Infelizmente ainda não há literatura em português sobre a sua utilização na área da saúde. Encontrei alguns poucos artigos sobre este assunto. Em inglês já existe alguns bons livros sobre o assunto.

Então, mãos a obra: vamos ler sobre o assunto, contratar consultorias, desenhar os processos atuais, discutir o que pode ser melhorado, reduzir desperdícios e tornar as organizações hospitalares sustentáveis.

Jaime Gil Bernardes* – Mestre em Administração de Empresas, com dissertação sobre construção de cenários prospectivos no setor hospitalar. MBA em Gestão Empresarial. Consultor empresarial, diretor da JBernardes Consultoria, dedicada a gestão hospitalar.

Leia também
  • Gerson L. Schwerdt

    O sistema brasileiro de saúde pública efetivamente necessita de novos paradigmas.
    Não há controle de custos e a qualidade no serviço, sendo necessária uma ampla modernização gerencial nos hospitais.
    A proposta do Prof. Jaime é excelente e precisa ser levada à sério.

    Gerson L. Schwerdt
    Procurador do Estado de Santa Catarina

  • Ricardo Reche

    Parabéns, Jaime! Belo texto! Realmente não vemos nos hospitais este tipo de filosofia que, com certeza, só tem a contribuir com a eficiência no atendimento, na gestão e, acima de tudo, na criação de valor para o cliente! Abraço, amigo!

  • Ricardo

    Parabéns Pela matéria Jaime.

    A CIA SALUX tambem acredita nesta filosofia enxuta e desenvolveu um de seus produtos ”SX SIGMA”, para esta evolução, inovação.

    Abraços,

    Ricardo Pigatto
    Cia Salux
    http://www.salux.com.br

  • Eudes Canuto

    Jaime Bernardes,
    Parabéns pelo artigo! A industria já utiliza o Lean há 50 anos e o Six Sigma há 30 anos e quando entramos nos hospitais, encontramos a necessidade de melhoria nos processos, visando atender a necessidade do Cliente (Paciente). Esperas por atendimento, pelo assistente, equipe de enfermagem, médico, exame, resultado do exame (95% do tempo, que não agrega valor e olhe que espera é só 1 dos 7 desperdícios do Lean).
    Set Up em salas de cirurgia demoram em média mais de 1h, imagine se fizessem o mesmo na formula 1? O carro ficaria também 1h no Box ( O carro andando é tão importante que tem em torno de 19 pessoas para trocar os pneus e trocam em 4 segundos).Ainda bem que já existem hospitais que fazem o Set Up em média de 20 minutos e consequentemente mais cirurgias/mês.
    Giros de leito – os hospitais podem ganhar mais de 10 horas no giro do apartamento e olhem que giram em torno de 6 vezes por mês(Paciente fica 5 dias em média), logo no mínimo 60h por apartamento/mês(2,5 dias), que multiplicado pelo numero de apartamento, suponha 100 apartamentos, daria 250 dias mensais, que dividido por 5 dias daria 60 pacientes a mais/mês, que normalmente é 10% do faturamento do hospital a mais.
    Glosas elevadas que desenhando o mapa do fluxo de valor da recepção até o faturamento, criando antídoto para os principais motivos de glosas elas chegam a 1,5% e ainda melhoram o tempo de faturamento para dentro do mês!
    Dispensação de mat/med – Os Kits não foram feitos baseado nos históricos das cirurgias e por isso as movimentações carregam mais do que deveriam, causando estoques maiores e vencimento dos remédios que são desperdícios. Mesmo com o kit superdimensionado ainda os circulantes vão buscar medicamentos na farmácia satélite.
    Lavanderia, manutenção corretiva nos Apartamentos em vez de preventiva, utilização de OPME e infinidades de processos a serem melhorados.
    Desenvolvi neste ano alguns projetos de Lean Healthcare em 20 Hospitais referências no Brasil e neste ano desenvolverei mais 20, procurando melhorar os processos, visando a qualidade, o encantamento do paciente e dos médicos dedicado a atende-los, ajudando a reduzir despesas, desperdícios e melhorando o lucro nos Hospitais.

    Eudes Canuto de Araújo
    Master Black Belt e Lean Specialist

  • Sergio Alencar

    Perfeita análise,parabéns pelo trabalho que vem sendo desenvolvido.

  • Geraldo Amaral Júnior

    Jaime,
    Seu artigo é ótimo e vem de encontro ao que sempre acreditei e venho pessoalmente fazendo nestes últimos anos aqui em S.Paulo. Apesar de ser um consultor, a minha metodologia é a de capacitar e apoiar os hospitais na execução de projetos lean para que ao terminar o ciclo êles possam expandir a metodologia para outras áreas do hospital e caminhar sozinhos. Esta metodologia tem dado muito bom resultado nos hospitais nos quais foi implementada.
    Geraldo Amaral Júnior
    Sócio Proprietário da Amaral & Amaral

  • Jaimegil

    Meu caro Eudes

    Você tocou num ponto que complementa meu texto, que é o desperdício de estrutura física, principalmente nos leitos. Basta ver que as UTIs estão sempre lotadas, com falta de leitos, mas o mapa de ocupação aponta uma média de 85 a 90% de ocupação. Este restante são leitos vazios por set up ou por falta de comunicação. E o povo precisando de UTI.

    Quero fazer parte desta revolução do Lean Healthcare. tenho um projeto de um livro, traduzindo os conceitos da filosofia Lean para o ambiente hospitalar, utilizando exemplos e a linguagem da saúde. Ainda tenho que firmar os conteúdos e a forma de implantação para poder fazer consultorias nos hospitais sobre este assunto.

    Se precisares de ajuda nestes hospitais, estou a disposição. Entre em contato pelo meu e-mail jaimegil@terra.com.br ou pelo meu site jbernardesconsultoria.com.br.

  • Jaime Gil Bernardes

    Obrigado Sérgio pela gentis palavras

  • Jaime Gil Bernardes

    Geraldo
    Com certeza quero participar desta revolução chamada Lean Healthcare.
    Se precisares, vamos trocar conhecimentos e informações. Entre em contato pelo meu e-mail jaimegil@terra.com.br ou pelo meu site jbernardesconsultoria.com.br.

  • Jaime Gil Bernardes

    Com certeza quero participar desta revolução chamada Lean Healthcare.
    Obrigado pela gentis palavras
    Que a Cia Salux continue a fazer um ambiente hospitalar mais produtivo e inteligente.

  • Jaime Gil Bernardes

    Com certeza quero participar desta revolução chamada Lean Healthcare.
    Obrigado pela gentis palavras
    Contribuições suas são bem vindas.

  • Jaime Gil Bernardes

    Meu caro Gerson

    Acredito que os modelos de gestão utilizados em muitos hospitais que usam recursos públicos deveriam ser alvo de uma atenção do Ministério Público.

    Muito corporativismo e pouca gestão. Um monte de cabide de empregos. E estou falando em hospitais privados, deixando de lado os hospitais públicos. Mas muitos deste hospitais privados têm os benefícios das isenções e imunidades tributárias (filantropias), conferidas pelo setor público, sendo que nem sempre devolvem esta parcela de esforço feita pelos cofres públicos.

    O problema da saúde não é dinheiro, de uma maneira geral: é de gestão.
    Mas, com certeza quero participar desta revolução chamada Lean Healthcare. Esta filosofia deveria ser obrigatória para quem usa recursos públicos, pois provoca fazer somente o necessário, deixando os desperdícios de lado.

  • Eudes Canuto

    Jaime Gil parabéns pela iniciativa!
    Amigo Geraldo Amaral, você deu inicio ao Lean Healthcare no Brasil, pelo qual eu tiro o chapéu!
    Que bom que hoje existem profissionais com conhecimento profundo do uso da metodologia em hospitais, como vocês, Leopoldo Marroig do Einstein e Carlos Campos do Grupo São Camilo!
    Abraços e feliz Natal!
    Eudes Canuto

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