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Muita coisa mudou (e para melhor) no mundo dos negócios, mas a palavra-chave continua sendo reciprocidade, princípio que, em toda relação, começa pelo respeito, fortalece-se pela confiança e indica que a transparência deve ser verdadeira. Afirmo isso com certa propriedade. Ao longo dos anos, temos incorporado a governança corporativa, um modelo de gestão cuja lucidez, acredito, está na interação e na cooperação. Nele, aprendemos a ouvir, transformar conhecimento em indicadores acionáveis e converter valores em benefícios para todos. À primeira vista, parece inexecutável, mas é um modelo simples, aplicável a toda empresa. Afinal, a governança corporativa começa pela ética e pelo senso de justiça dos indivíduos.
No seu DNA estão valores como união, comprometimento, equidade, e o seu mérito está em proporcionar um alto nível de organização, que nos permite rápida e completa leitura do desempenho de setores, investimentos e estágio de metas, com clareza indispensável à tomada de decisões. Seu ponto de partida é conquistar o comprometimento de todos – sócios, gestores, colaboradores, prestadores e fornecedores -, uma prática de gestão bem similar ao cooperativismo. Sim, é um teste e tanto, mas possível quando se estabelece transparência. O reflexo é positivo, mesmo diante do cenário mais desafiador.
Um exemplo: as sucessivas regras para a saúde suplementar nos obrigam sempre a realinhar estratégias financeiras para atender à ampla e justa lista de procedimentos garantidos ao cliente, mas ao mesmo tempo elas nos diferenciam, ao evidenciar a eficácia da governança corporativa. Em dois momentos – em 2008, frente à crise mundial e seus reflexos por quase dois anos e, em seguida, quando surgiram regras ainda mais rigorosas para o setor -, o nosso esforço coletivo foi capaz de gerir e sustentar resultados, com uma sequência de crescimentos históricos. Mas como?
Estávamos determinados a superar metas para assegurar tranquilidade aos nossos sócios e clientes e manter o nosso sucesso de mercado. Administramos as ameaças ampliando vantagens competitivas. Não foi fácil. Nada é fácil. Mas a governança corporativa aponta caminhos quando você sabe o que é mais importante para quem acredita na sua gestão. O nosso modelo passou de rotina à cultura da empresa. Porém, atenção: não espere dele uma fórmula mágica para os seus negócios. Princípios pertencem aos homens.
*Hugo Borges é médico anestesiologista e presidente da Unimed Juiz de Fora Cooperativa de Trabalho Médico.
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