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Os resultados recentes demonstraram que o Brasil dobrou o número de transplantes – alcançando 23.397 cirurgias em 2011. Apesar do avanço, os transplantes ainda enfrentem dificuldades culturais no País. Para os médicos, a abordagem das famílias de possíveis doadores ainda é tabu. Para facilitar essa tarefa, a psicóloga Kátia Magalhães, coordenadora familiar do Programa Estadual de Transplantes do Rio de Janeiro, criou uma espécie de guia das más notícias – 12 passos que o profissional deve seguir para se comunicar melhor com o paciente e os familiares. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo Kátia, a ideia do protocolo surgiu em 2011, depois de ter participado do curso Comunicação de Notícias Difíceis, oferecido a profissionais de saúde pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) e Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.
Durante o evento, a psicóloga tomou conhecimento do protocolo Spikes, método criado por médicos americanos, há dez anos, para nortear a comunicação de más notícias a pacientes com câncer.
De acordo com a reportagem do Estadão, Kátia, então, adaptou o guia americano de seis etapas para a realidade do transplante. E dobrou o número de “passos”. Os médicos, em geral, segundo ela, se sentem incomodados em falar com os familiares de possíveis doadores. Mas as pesquisas depois do transplante revelam que para a família é como um conforto. “Doar alivia o luto”, disse Kátia ao Estado de S. Paulo.
Quanto mais capacitação tiver o profissional de saúde, mais ferramenta ele terá para lidar com o imponderável da situação. Para a psicóloga, não existe fórmula fechada para lidar com a comunicação da morte. “A ideia dos 12 passos é ter um norte para seguir. Eles servirão de base para o profissional lidar com essa situação tão difícil.”.
Entre as dicas estão: usar linguajar acessível, evitar termos técnicos, certificar-se de que a família (ou o paciente) está entendendo o que ocorreu, observar as emoções da pessoa que está recebendo a notícia. O trabalho foi apresentado no Congresso Brasileiro de Transplantes, em outubro, e no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), nesta semana.
Algumas dicas:
Histórico
Conheça o histórico do caso.
Aviso
Certifique-se de que a família foi avisada da abertura do protocolo de morte encefálica.
Presença
Avise os profissionais de que a família tem o direito de estar presente nos exames.
Protocolo fechado
Certifique-se de que o protocolo está legalmente finalizado.
Preparar o ambiente
Busque um ambiente tranquilo para a entrevista. Convide o médico responsável.
Avaliar a percepção
Certifique-se de que o familiar entende o que está acontecendo.
Informação
Não use termos técnicos nem dureza excessiva. Observe as emoções dos envolvidos.
Tempo
Ofereça à família a oportunidade de se despedir do paciente. Avise-a do término da cirurgia para a retirada dos órgãos. Certifique-se de que o corpo está digno para o sepultamento.
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