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Através do programa global World Ahead, a empresa de processadores Intel leva tecnologia, computadores e acesso à internet para as pessoas que vivem em regiões pobres e, muitas vezes, de difícil acesso. Uma vez implantada a conectividade, ações voltadas para melhorias no atendimento à saúde são um dos focos do programa da companhia americana, realizável por meio de parcerias com governos e instituições de ensino.
No estado do Amazonas, mais precisamente no município de Parintins, é o maior exemplo do World Ahead no Brasil. A telemedicina foi a tecnologia utilizada para prover serviços de assistência à cerca de 60 comunidades diferentes. A universidade Estadual do Amazonas está diretamente ligada ao projeto. Para a troca de conhecimento e atendimento acontecer, 50 clínicas da capital Manaus fazem parte da rede de telemedicina montada para atender as áreas remotas.
“O número impressiona, porque quando você pensa na quantidade de médicos no estado do Amazonas, verá que chega a 4.500. Parece muito, mas o problema é que 4.300 desses médicos estão em Manaus e apenas 200 médicos cuidam do restante da população”, conta o diretor global de Saúde da Intel, Mike Gann.
Atualmente, são feitas, em Parintins, aproximadamente 50 consultas com especialistas por semana. “É um número bastante elevado, porque a maioria dos projetos de telemedicina faz, normalmente, uma ou duas consultas por dia, e por isso é muito difícil justificar o ROI (retorno sobre investimento)”, enfatiza Gann.
Viagens desnecessárias, redução de custos e agilidade no atendimento são os ganhos obtidos pela saúde brasileira mediante tais iniciativas.
De acordo com o diretor da Intel, a telemedicina é ideal para países de grandes extensões, como é o caso do Brasil. Para se ter uma ideia, o México, por exemplo, possui um orçamento de cerca de US$ 800 milhões para a saúde e gasta 10% do montante com deslocamento de pacientes.
Integração de serviços
Para a infraestrutura tecnológica necessária de um projeto de telemedicina como esses, é necessário ter uma empresa de hardware para fornecer computadores, uma empresa de telecomunicações para fornecer conectividade e uma universidade ou um hospital para realizar as consultas, além do financiamento do governo, fundos ou Organizações Sociais. “Um dos desafios é fazer com que todos esses grupos de pessoas concordem com um projeto e montem uma estrutura em comum. Além disso, há os termos financeiros, com os quais muitas vezes os governos não podem arcar. Então, também é preciso trazer o apoio de desenvolvedores ou ONGs, que possam ter fundos que poderiam ser usados para, potencialmente, cobrir os custos”, explica Gann.
Além de integrar os parceiros certos, sustentar a iniciativa no longo prazo é outro desafio da Intel. Uma das saídas para o possível obstáculo é unir-se a empresas locais e envolvê-las no projeto com perspectivas de rentabilidade. “Ou seja, ter um provedor de conteúdo local para fornecer o conteúdo educacional, ou um provedor de serviços local para colocar os computadores nas clínicas e criar a conectividade, seja ela via satélite, wimax ou 3G. Para que, quando o dinheiro dos doadores acabar, ainda exista dinheiro para ser ganho ao longo da cadeia de valor”, diz o executivo.
Para o diretor educacional e professor da Unicamp e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, Renato Sabbatini, ainda, hoje, o governo é peça chave para a sustentabilidade de projetos como este no Brasil. “Se o governo sair de cena, o programa quebra”, diz.
Empresas provedoras de telecardiologia e teleradiologia também são fundamentais para consultas via telemedicina. Ainda de acordo com o professor, um grande obstáculo para a expansão desse modelo é a não cobertura desse tipo de serviço por parte dos planos de saúde.
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