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10 passos de segurança do paciente

23 de dezembro de 2010 11:38

Nos últimos dias fomos tomados de surpresa por uma serie de reportagens divulgadas pela mídia sobre erros ocorridos em ambientes hospitalares, envolvendo diferentes profissionais da saúde, e que a maioria dos casos gerou a perda de um ente querido ou ocasionou uma seqüela (alteração anatômica ou funcional permanente, sendo causada por uma doença ou um acidente). Independentemente do grau da lesão, para nós profissionais da saúde, o pesar é grande e temos claro que em ambos os casos as vidas das pessoas direta ou indiretamente envolvidas foram fortemente afetadas. Na maioria dos casos sobre erro de profissionais de saúde, principalmente profissionais médicos e de enfermagem, constitui-se crime culposo. Para definirmos melhor o que seria o crime culposo é necessário definir suas três modalidades: a imperícia, a imprudência e a negligência.   a)   IMPERÍCIA: é a falta de habilidade para praticar determinados atos que exigem certo conhecimento; É o tipo de culpa – por ação – que pode ocorrer quando o profissional de saúde se conduz de maneira errada por falta de experiência ou por despreparo técnico. b)   IMPRUDÊNCIA: consiste na precipitação, na falta de previsão, em contradição com normas do procedimento prudente. É quando o profissional de saúde faz o que não devia. c)   NEGLIGÊNCIA: Culpa por omissão; É quando o profissional não faz o que deveria ter feito, seja por passividade, desmazelo, descuido, menosprezo, preguiça ou, mesmo, cansaço. Infelizmente o erro não aparece de uma só forma. Só para ilustrar podemos apontar como exemplos os seguintes:   d)   ERRO DE DIAGNÓSTICO: o erro de diagnóstico ocorre quando o profissional não consegue estabelecer o diagnóstico certo diante do quadro de sinais (quando pode ser medido como por exemplo a febre) ou sintomas (o paciente refere alguma coisa que não pode ser medida ou avaliada quer com os nossos sentidos ou com equipamentos) e assim pode começar a tratar de forma inadequada o paciente. e)   ERRO DE TRATAMENTO: é quando se aplica ou receita um tratamento ou medicamento de forma errada. De todos o mais comum pois nem sempre é percebido. f)    ERRO DE TÉCNICA: Quando o profissional realizou um procedimento de forma errada ou tenha agido com desprezo ou não tinha conhecimento suficiente para realizar uma técnica e a fez mais ou menos. g)   ERRO PROFISSIONAL: O erro profissional é aquele que leva o profissional a se conduzir de maneira errada. Incluem-se também os casos em que tudo foi feito corretamente, mas o doente omitiu sintomas ou ainda não colaborou com parte do processo de tratamento. Na enfermagem infelizmente os erros mais facilmente encontrados estão associados a incorreta identificação do paciente ou a forma incorreta de aplicar uma medicação. A prática de medicação em uma organização hospitalar pode ser definida como um sistema complexo, com vários processos interligados, interdependentes e constituído por profissionais de diferentes áreas do conhecimento (médicos, equipe da farmácia e de enfermagem, atendente de farmácia, atendente de almoxarifado e até as vezes no próprio laboratório que produziu o medicamento) que compartilham de um objetivo comum, que é a prestação da assistência à saúde dos pacientes com qualidade, eficácia e segurança. Compreender a prática de medicação como um sistema exige, no entanto, identificação dos vários componentes necessários para realizar o propósito de fornecer tratamento medicamentoso ao paciente. As causas desses erros podem estar relacionadas com fatores individuais como falta de atenção, lapsos de memória, deficiências da formação acadêmica, inexperiência etc., mas, também, com falhas sistêmicas como: problemas no ambiente (iluminação, nível de barulho, interrupções freqüentes), falta ou falha no treinamento, falta de profissionais, falha na comunicação, problemas nas políticas e procedimentos ou mesmo produtos inadequados utilizados na medicação do paciente. Esses erros representam uma triste realidade da assistência à saúde e com sérias conseqüências para pacientes, profissionais e organização hospitalar. Um estudo realizado nos Estados Unidos na década de 2000 apontou que em relação aos erros de medicação que 39% dos erros ocorreram no processo de prescrição de medicamentos, 12% na transcrição, 11% no processo de dispensação e 38% no de preparo e administração de medicamentos. Os profissionais envolvidos em cada um dos processos descritos devem ter compreensão de que, ao fazer parte de um sistema como o de medicação, suas ações podem interferir no comportamento do conjunto como um todo. O profissional deve conhecer o seu papel na corrente de ações necessárias à medicação de um paciente, para que desenvolva seu papel com segurança, consciência, responsabilidade e eficiência. O fato de a enfermagem atuar no último dos processos, que é o de preparo e administração dos medicamentos, faz com que muitos erros cometidos não detectados no início ou no meio do sistema lhe sejam atribuídos. Esse fato também aumenta a responsabilidade da equipe de enfermagem, pois ela é a última oportunidade de interceptar e evitar um erro ocorrido nos processos iniciais, transformando-se em uma das últimas barreiras de prevenção. Em um caso de erro de medicação de quem foi a responsabilidade, por exemplo, da troca de medicação? Obviamente, da pessoa que administrou a medicação. No entanto, subjacente a este erro existe um “erro latente” (brechas para erro), que cria as condições para que este problema ocorresse. Assim de uma forma bem sucinta podemos dizer que o ERRO dos profissionais de saúde OCORRE QUANDO: ERRO = ERRO ATIVO (cometido por quem esta diretamente ligada ao procedimento) + ERRO LATENTE (situações de risco dentro do sistema que, aumenta a possibilidade da consumação do erro.) ao se combinarem com os ERROS ATIVOS, criam a oportunidade para o evento adverso  Assim diante de tão grave preocupação entendemos que pacientes e familiares devam ser sujeitos e atores do seu processo de tratamento e que assim devem colocar em pratica os “10 passos para a segurança do paciente” propostos pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN-SP) e pela Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP). São eles: 1.    IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE A identificação do paciente é prática indispensável para garantir a segurança do paciente em qualquer ambiente de cuidado à saúde, incluindo, hospitais. A identificação deve ser feita por meio de pulseira de identificação, prontuário, etiquetas, solicitações de exames, com a participação ativa do paciente e familiar, durante a confirmação da sua identidade. Medidas sugeridas: a)   Cobre de todos os profissionais de saúde a identificação correta comparando seu nome com etiquetas: de exames, prontuários, pedidos de centro cirúrgico, marcação de áreas de cirurgias e administração de medicamentos. b)   Incentive o uso de pelo menos dois identificadores (ex.: nome e data de nascimento) antes da prestação de qualquer cuidado de enfermagem. Atenção em casos de infantes, idosos e pacientes que tenham dificuldade em se comunicar é sempre bom que um familiar reforce a conferencia. Em casos de recém nascidos não se esqueça o nome da mãe é o mais indicado. 2. HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS A higienização das mãos consiste em remover a sujidade, suor, oleosidade, pelos e células velhas da pele, com a finalidade de prevenir e reduzir as infecções relacionadas a assistência à saúde. Quando exigir dos profissionais de saúde a higienização das mãos: ·         Antes e após o contato com o paciente. ·         Antes e após a realização de procedimentos assépticos. ·         Após contato com material biológico. ·         Após contato com o mobiliário e equipamentos próximos ao paciente. ·         E os acompanhantes também devem realizar o mesmo procedimento principalmente quando chegam no quarto do paciente.   3.   CATETERES E SONDAS A administração de medicações e soluções por cateteres, sondas e seringas é prática de enfermagem comum que pode ser desenvolvida em ambientes de atendimento à saúde. A infusão de soluções em vias erradas, como por exemplo, dietas líquidas ligadas em lugar de soro devido a possibilidade de conexão errada, é um evento freqüente, que pode causar graves conseqüências e até a morte do paciente. É importante que familiares e/ou acompanhantes não mexam nos dispositivos e que sempre solicitem a presença do profissional de enfermagem. ü     Peça uma identificação diferenciada nos cateteres  para garantir o manuseio seguro. ü     Exija a higienização das mãos antes da manipulação de medicamentos ou mesmo do paciente. ü     Fique atento que a enfermagem faça sempre o uso de luvas para mexer nas conexões. ü     Na maioria das vezes aquelas borrachinhas que levam alimento até o estomago são padronizadas com a cor azul. Fique atento aos sistemas de infusão. ü     Exija sua participação junto à equipe médica e de enfermagem durante a confirmação dos medicamentos e soluções que serão administrados, a fim de assegurar a infusão correta durante os cuidados. Se necessário peça a prescrição médica. Em caso de negativo procure o setor de ouvidoria do hospital e exija o manual de direitos do paciente. 4.   CIRURGIA SEGURA 1. A marcação cirúrgica deve ser clara e sem ambigüidade, devendo ser visível mesmo após o paciente preparado e coberto. 2. O local é marcado em todos os casos que envolvam lateralidade (direito/esquerdo), múltiplas estruturas (dedos das mãos/pés, lesões) ou múltiplos níveis (coluna vertebral). 3. Se houver recusa do paciente em demarcar determinada região, ou o paciente não estiver orientado, a instituição deverá adotar mecanismos que assegurem o local correto, a intervenção correta e o paciente correto.   5.   SANGUE E DERIVADOS A administração intravenosa de sangue total ou partes de componentes sanguíneos pode ser definida como a transferência destes de um indivíduo (doador) para outro (receptor). Está indicada para pacientes que sofreram perda sanguínea significante ou alterações no sangue decorrentes de doenças ou procedimentos (ex.: choque, traumatismo, hemorragia, doenças sanguíneas, intervenções cirúrgicas, entre outros). A administração deve limitar-se, sempre que possível, ao componente sanguíneo que o indivíduo necessita, pois a administração do produto específico é mais segura e evita reações em decorrência da infusão de componentes desnecessários. Erros na administração de sangue total e hemocomponentes comprometem a segurança do paciente. Neste caso a colaboração do paciente ou do acompanhante é muito importante para confirmar a identificação do paciente na pulseira, na  prescrição médica e no rótulo da bolsa de sangue, antes da sua  administração. Esta verificação deverá ocorrer DUAS ou TRÊS vezes antes de iniciar a infusão. No próximo post continuaremos abordando os próximos cinco passos da segurança do paciente.

Sobre Sarah Munhoz

Sarah Munhoz é Enfermeira com Doutorado em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (2006), Mestre em Saúde do Adulto pela Universidade Federal de São Paulo (2002). Professora na disciplina de Administração na Faculdade de Enfermagem da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e ex-presidente da Associação Brasileira de Enfermagem - Seção São Paulo (ABEn-SP)

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