Economia do comportamento reduz gastos com doenças crônicas
TI lidera o ranking de fusões e aquisições no Brasil
SP: Liminar coibe médicos de realizarem greve
Hospitais da Anahp faturam R$ 9,4 bilhões; alta de 20%
Plano de saúde é obrigado a informar descredenciamento
Mapfre vai entrar na disputa pelo mercado de plano de saúde
Alert e Benner anunciam Joint Venture
Planos devem incluir forma de reajuste nos contratos com médicos
OPMEs movimentam consumo de alta tecnologia
9 motivos para ter acreditação
Convênios médicos faturam R$ 83,4 bilhões, 11,7% a mais
Sites para agendamento de consultas médicas começam a aparecer no Brasil
- Por que não posso ficar vendo televisão?
- Porque você tem de dormir.
- Por quê?
- Porque está na hora, ora essa.
- Hora essa?
- Além do mais, isso não é programa para menino.
- Por quê?
- Porque é assunto de gente grande, que você não entende.
- Estou entendendo tudo.
(Fernando Sabino, Hora de Dormir)
Nos posts anteriores, falei sobre o uso de analytics e abordei a primeira questão fundamental quando queremos respostas: o que queremos medir. Hoje, vamos discutir um pouco sobre o próximo passo na análise de informações em Saúde: o porquê das coisas.
O trecho do conto de Fernando Sabino acima mostra claramente a indignação da criança com as explicações “esfarrapadas” do pai em relação ao horário de dormir. Não que este estivesse errado, afinal é bom ter certa disciplina com o sono, mas o importante é que a criança não é convencida sobre os motivos da ordem paterna.
Crianças são assim. Impacientes, indignadas e – muitas vezes – impertinentes com todas as suas perguntas. Reparem que geralmente o que mais nos irrita não são as questões, mas o fato de não sabermos as respostas ou como abordar determinado assunto. No final das contas, o que nos incomoda é o fato de ficarmos encurralados.
No mundo adulto e corporativo, perdemos um pouco dessa capacidade de questionamento. Não sei se é conformismo, preguiça ou desejo de parecer educado. Mas o fato é que engolimos tantas respostas “esfarrapadas” que acabamos parando de querer saber realmente o porquê ou o pra quê das coisas. Vou pedir uma licença ao Fernando Sabino e fazer meu próprio diálogo:
- Por que não posso ficar vendo televisão?
- Porque você tem de dormir.
- Por quê?
- Porque você tem colégio amanhã cedo.
- Pra quê?
- Para estudar para virar alguém na vida.
- Por quê?
- ….?!?
Reparem que, nessas horas, soltamos um “porque estou mandando” ou “porque sim”. E, quando chegamos a esse ponto, é porque não sabemos mais as respostas. Ou estamos com muita preguiça para discutir o assunto mais profundamente. Ou – muito comum – porque queremos enrolar.
Quando faço esse exercício com funcionários e alunos – pergunto quatro por quês – sinto que alguns deles se irritam com as perguntas. Outros soltam um: “mas não é óbvio”?
Vamos a um exemplo. É comum vermos o levantamento da taxa de queda de idosos internados. Suponhamos que a resposta para o quê seja a óbvia: queremos saber quantos idosos caem durante o período de internação. Agora vem o questionamento “infantil”: por quê?
- Medir qualidade dos cuidados de enfermagem.
- Pra quê?
- Para aumentar a segurança dos pacientes
- Pra quê?
- ….?! Não é óbvio?
Se fosse tão óbvio, não precisaríamos medir. Se fosse tão óbvio, não teríamos tantos casos de erros médicos e de enfermagem no Brasil. Então não é óbvio. Então, volto a perguntar: por que temos esse indicador? Para gerenciar o quê? Qualidade? Segurança? Ou custos?
Alguns de vocês podem estar se perguntando: tá, já que é assim, por que tenho que perguntar tantos porquês? Justificar nossas escolhas nos ajuda a priorizar investimentos, por exemplo. Aumenta a transparência nas relações – um dos princípios básicos da governança corporativa. E, além de tudo, nos ajuda a saber pra que vou usar uma determinada informação e que decisões posso tomar com ela.
A avó de um colega meu, extremamente lúcida aos seus 93 anos, sofreu uma queda durante a troca de roupa de cama em uma internação por suspeita de câncer. (Sim, a senhora foi posta de pé enquanto retiravam os lençóis sujos em um grande hospital privado de São Paulo.) Com fratura de cabeça de fêmur, foi parar na mesa de cirurgia e não resistiu.
Como já passei em uma consultoria neste hospital, sei que eles medem a famosa taxa de queda. Este caso virou apenas um número: olha, tivemos x quedas essa semana. E daí? No final das contas, para que meço esse número? Para ver se aumentou ou diminuiu? Pra quê? Para ficar bem – ou mal – no relatório?
Talvez o mais correto não seja a taxa em si, mas os motivos. Ou a fase do processo em que ocorreu a queda (eles não levantam nenhum dos dois). Mas o número sozinho (por exemplo, duas quedas essa semana) não nos diz absolutamente nada. Não nos ajuda a compreender o que fazer para melhorar, onde estão os defeitos ou quais as suas consequências. Então, por que medimos?
Já ouvi a resposta: porque a Joint Commission – ou qualquer outra certificadora – exige. Ahhhhhh…. Então você não mede porque está preocupado com a segurança e com a qualidade. Você mede porque está na lista. Você mede porque é um indicador para os outros. Essa resposta não é “feia” ou “ruim”. Ela é apenas sincera e nos ajuda a ver que este indicador específico não serve para nada a não ser cumprir determinada exigência. (Se bem que, se está na lista, deve ter algum uso importante… Resta descobrirmos qual.)
Em alguns casos, quando nos deparamos com essas dúvidas, é importante voltar um passo e rever o que estamos medindo. A fase do porquê nos ajuda a compreender melhor o quê Veremos nos próximos posts que esse trabalho inicial nos ajudará a economizar tempo e recursos no futuro.
A propósito: perguntar quatro porquês também é útil para lidar com pedidos de funcionários, filhos e cônjuges. Da próxima vez que alguém lhe pedir um aumento ou um computador novo, faça o teste. E me conte se a pessoa tinha argumentos razoáveis ou se, pelo menos, tinha feito a lição de casa.
Libânia Paes: atua há mais de 10 anos na área de saúde, tendo passado por operadoras, hospitais e consultorias. É professora e coordenadora do CEAHS - Curso de Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde da FGV-EAESP e do Senac São Paulo, nas área de Operações e Tecnologia de Informação em Saúde. É doutora e mestre em Administração de Empresas pela FGV-EAESP, com enfoque nas áreas de Tecnologia e Saúde. Autora do livro Gestão de Operações em Saúde, pela Editora Atheneu.
Tecnologia & Farma
Eric Vinicius Vieira Neves
Por dentro das tecnologias e normas!
Logística Hospitalar
Mayuli Lurbe Fonseca
A FALTA QUE ELA FAZ
Planejamento Estratégico e Modelos de Negócio para o Setor da Saúde
Enrico de Vettori
Governança: que lição podemos tirar da atual crise que afeta distintamente os EUA, a Europa e o mundo Árabe?
Gestão de Enfermagem para a Excelência do Cuidado
Heleno Costa Junior
“Gestão de Enfermagem para a Excelência do Cuidado”
Informática na Saúde em foco
Claudio Giulliano Alves da Costa
Qual é o plano nacional para Registro Eletrônico de Saúde?
BT-1100/900 – CÂMARA PARA CONSERVAÇÃO DE IMUNOBIOLÓGICOS, (...)
APARELHO DE PRESSÃO ARTERIAL ANEROIDE ALGODÃO
AUTOCLAVE HORIZONTAL ANALOGICA 60 LITROS CAMARA INOX
Seladora Cristofoli Plus
CAPNOGRAFIA MICROSTREAM
Cânulas de Traqueostomia
Cortinas Descartáveis
Eletrocardiógrafo ECGPC
Cardiotocógrafo monitor fetal
CARRO MULTI-USO 2 PARTES
Transporte capacitado ANVISA
Pulmão Teste