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A concepção arquitetônica de um edifício, quaisquer sejam seus usos futuramente previstos, parte de um Programa Físico construído através de um entendimento entre os empreendedores que atuam como representantes dos ocupantes futuros e os arquitetos como consultores e projetistas do imóvel.
A única situação onde os ocupantes futuros se manifestam individual e diretamente aos Arquitetos é quando o projeto arquitetônico concebe uma habitação unifamiliar para usufruto próprio.
Os demais edifícios com usos distintos, tendo como exemplo habitações coletivas, prédios institucionais, e hotéis, se valem de profissionais experientes em comportamentos, expectativas e perfis dos ocupantes e que orientam com os Arquitetos o Programa Físico, em simulações de localização, dimensões, facilidades, conveniências e outras variáveis que assegurem um empreendimento viável para as partes interessadas.
O setor imobiliário como pratica corrente, procura melhor compreender o perfil dos futuros ocupantes, através de pesquisas de mercado que embasam as simulações à procura das melhores viabilidades.
Os ambientes físicos que compõem uma futura edificação de saúde com qualquer que venha ser seu porte operacional, exigem um vasto elenco de informações por parte dos profissionais de saúde, tanto nas questões do “como funciona!!” e do “onde funciona!!”, que requerem a participação de inúmeras e distintas competências profissionais, que além de orientarem sobre as formas de trabalho e as tecnologias de produção dos serviços médicos e hospitalares em cada setor produtivo, esclarecem o comportamento dos agentes de produção, consumidores e seus acompanhantes.
Os profissionais de saúde se constituem como “representantes” dos demais companheiros e dos consumidores, no esclarecimento aos Arquitetos e demais projetistas, sobre a operação e as configurações físicas mais apropriadas dos setores que compõem o edifício.
Tomemos como referência um projeto arquitetônico de um edifício de saúde realizado com todo apuro e competência pela equipe de consultores e projetistas, totalmente alinhada com as demandas do momento e com as melhores práticas técnicas e de uso de tecnologias recomendadas à época. A concepção arquitetônica se valeu de lógica e evidências tanto na implantação dos edifícios no terreno, como na localização e dimensionamento dos setores, sejam de produção como de suporte. Nos projetos do complexo predial foram definidos fluxos de processos e rotas de movimentação de pessoas e bens, que estruturam o “sistema circulatório” e onde a operação das tecnologias de informação e comunicação compõe o “sistema neurológico”, que dão vida ao funcionamento da empresa de saúde.
Os produtos dos projetos executivos de arquitetura e engenharia destinados à execução das obras são compostos por plantas e relatórios SOBRE O IMÓVEL a ser construído ou adequado, em escalas compreensivas para informação aos executores das obras, mas inadequadas em conteúdo e expressão gráfica e técnica para o conhecimento pelos futuros usuários sobre como “funciona o edifício”.
Os Arquitetos têm tradicionalmente elaborado e apresentado “Memoriais Explicativos” acompanhando os documentos gráficos dos projetos, onde os conteúdos versam sobre a organização espacial das ocupações apontando aspectos ambientais, tipologia da construção, acabamentos, instalações e demais itens que entendem venham permitir aos promotores do empreendimento uma compreensão sobre a arquitetura da edificação proposta.
No caso dos edifícios de saúde os Arquitetos, Consultores e Projetistas de instalações prediais e especiais, deverão assumir o compromisso de registrar com base na produção de serviços, definida em um Programa Operacional, as que decisões sobre o “como fazer!!” que foram tomadas, apontando seu impacto sobre a organização dos espaços, indicando as rotas internas de cada setor e entre os setores de produção e aqueles de apoio.
Simplesmente apresentar, como em um passeio, aos futuros operadores os compartimentos de seu setor sem informar “como” foram propostos seus usos, representa um desrespeito aos profissionais que atuarão, gerando neles uma falta de entusiasmo pelos novos locais, podendo até mesmo resultar na adoção de fluxos inadequados, concebidos erroneamente por suposições e adivinhações!!!
Os conteúdos de um “manual de funcionamento” permitirão aos gestores:
• Capacitar todos os funcionários de todos os setores e níveis hierárquicos, informando como foi organizado o funcionamento dos setores do prédio de sorte a que se crie uma compreensão e estima de toda comunidade de trabalho, sobre o mesmo!
• Ser matriz para cada setor de produção ou apoio compreender os fluxos de trabalho, as rotas de movimentação e as sequências de tarefas.
• Estimular a progressiva estruturação de parâmetros de desempenho de forma a estimular a produção enxuta e a minimização de desperdícios
A adoção formal deste MANUAL DE FUNCIONAMENTO trará a instituição, melhorias acentuadas na prestação de serviços para saúde.
João Carlos Bross é arquiteto e presidente da Bross Consultoria e Arquitetura.
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