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Ética e Sustentabilidade

23 de novembro de 2010 00:59

O conceito de sustentabilidade pode ser definido como: “suprir as necessidades da geração presente, sem reduzir as oportunudades das gerações futuras.” A sustentabilidade abrange vários níveis de organização: o ambiente interno; seus relacionamentos comerciais, sociais e governamentais; chegando até o nível mais geral, uma vez que o conceito de sustentabilidade se aplica ao planeta como um todo.Para se considerar uma organização ou um sistema como sendo sustentável, têm que ser cumpridos três requisitos básicos:- economicamente viável- socialmente justo – ecologicamente corretoO conceito de sustentabilidade foi criado e utilizado inicialmente na economia, que definiu crescimento sustentado como um ciclo de crescimento econômico real do valor da produção, constante e duradouro, assentado em bases consideradas estáveis e seguras. Posteriormente o conceito foi ampliado, para aplicação na área social, ambiental e cultural. Este conceito deve ser incorporado pelos gestores das organizações como uma filosofia de vida, pela qual devemos cuidar bem de nosso presente para que nossos filhos e netos tenham também a possibilidade de usufruir dos avanços tecnológicos e dos benefícios da preservação natureza. É um modelo de atuação “ganha-ganha” que, se bem aplicado, beneficia as pessoas, as empresas, a sociedade e o meio ambiente. Trata-se de compatibilizar o desenvolvimento e os negócios com a preservação do meio ambiente e a melhoria dos padrões de vida de todas as pessoas.O objetivo é o direcionamento do desenvolvimento da organização, conciliando a eficiência econômica, a responsabilidade social e a prudência ecológica.Outro aspecto fundamental é a educação, pois a cultura representa a força transformadora de um país, de uma sociedade, de uma empresa e de um indivíduo. O conceito de ética perpassa as três perspectivas da sustentabilidade e também seu aspecto cultural. Na perspectiva econômica, a ética exige, entre outros, a transparência, concorrência leal, isenção de conflitos de interesse econômico e o cumprimento dos compromissos financeiros da empresa com o mercado e com o governo.A transparência é aqui entendida como a determinação de uma organização de permitir que toda e qualquer conduta sua, através dos seus prepostos ou representantes, possa ser integralmente registrada, verificada, analisada e submetida a um juízo de valor, sob a perspectiva ética.Na perspectiva da ecologia, adquiriu uma importância capital, desde a década de 60, o conceito de “desenvolvimento sustentável”, visto como “um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas.”O desenvolvimento sustentável, que perdure no tempo e beneficie a atual e as futuras gerações, necessita de sabedoria e conhecimento, para que as escolhas e decisões tomadas sejam responsáveis e éticas, para que não agravem os problemas que pretendem resolver. A ignorância a respeito das conseqüências negativas das ações é o maior adversário do desenvolvimento sustentável. Tal ignorância pode produzir a irresponsabilidade das ações voltadas para resultados imediatos, mas que desprezam os custos de médio e longo prazos. Pierre Dansereau recomenda que a prescrição ética deve ser precedida pela prospecção ecológica. Isso significa que, antes de adotar um comportamento, é necessário municiar-se dos conhecimentos necessários para avaliar os riscos e impactos associados a tal atitude e certificar-se de que ela seja realmente a mais adequada. Para Dansereau, as ciências do meio ambiente estão à procura de uma nova síntese do saber e de uma nova prescrição, cujo princípio será mais ecológico do que econômico e mais ético do que  científico.                             Existem mais de 700 definições catalogadas para o termo “responsabilidade social”. No aspecto empresarial podemos entender este conceito como a forma de gestão ética e transparente que tem a organização com suas partes interessadas, de modo a minimizar seus impactos negativos no meio ambiente e na comunidade.Não há responsabilidade social sem ética nos negócios; e vice-versa. Uma das maiores questões contemporâneas na gestão empresarial, é saber entender como ética e responsabilidade social podem coexistir com princípios organizacionais. O aumento da produtividade e da produção de bens e serviços deve estar na base do processo de melhoria das condições de vida, bem-estar e de dignidade do conjunto da população. Isto significa que as agendas da transformação produtiva e a da eqüidade social podem e devem caminhar juntas, devendo estar adequadamente articuladas. A primeira correndo sobre os trilhos da racionalidade econômica, do ajuste estrutural e dos avanços tecnológicos. A segunda, por sua vez, evoluindo sob os signos do compromisso ético e da firme vontade política de afirmar os paradigmas do desenvolvimento humano sustentável, que pode ser resumido em 10 princípios básicos, com base no Relatório sobre Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD/ IPEA/1996):1 –  O fundamento real do desenvolvimento é o universalismo do direito à vida2 –  A vida não é valorizada, apenas, porque a pessoa pode produzir bens materiais, nem a vida de uma pessoa vale mais que a de outra3 – Cada ser humano nasce com um potencial, que necessita de oportunidades e condições adequadas para que possa se desenvolver4 – O objetivo do desenvolvimento é criar um ambiente no qual todas as pessoas possam desenvolver as suas capacidades potenciais5 –  Esse ambiente deve propiciar, também, que a presente e as futuras gerações possam ampliar suas possibilidades e oportunidades6 –  Cada indivíduo e cada geração têm direito a oportunidades que lhes permitam fazer o melhor uso das suas capacidades potenciais7 –  A forma pela qual, realmente, essas oportunidades serão aproveitadas e quais os resultados alcançados é um aspecto que se relaciona, também, às escolhas que cada indivíduo faz, ao longo de toda a sua vida8 –  Todo ser humano deve ter capacidade de escolha, agora e no futuro9 – Há uma necessidade ética de se garantir às futuras gerações oportunidades, pelo menos, iguais às que as gerações anteriores tiveram10 – Este universalismo torna as pessoas mais capazes e protege os direitos humanos (civis, sociais, econômicos, culturais e ambientais)Se analisarmos detidamente estes 10 itens, veremos que estão embasados em princípios éticos e morais.Este é, sem dúvida, o caminho para que se possa ampliar a gama de oportunidades colocadas ao alcance de cada ser humano. E é com base nessa perspectiva ética que se poderá, também, vislumbrar a construção de um mundo onde todos possam desfrutar de uma vida duradoura e saudável, adquirir conhecimentos e ter acesso aos recursos necessários a um padrão de qualidade de vida e bem-estar condizente com a dignidade humana. Um aspecto importante da sustentabilidade é o alinhamento e a coerência entre o discurso as ações internas e externas da organização. A “fronteira final” da sustentabilidade inclui um conceito de cunho ético e filosófico, que é a busca eterna da humanidade pela prosperidade, em harmonia com o planeta e sem perder a verdadeira fonte da felicidade: nossas conexões uns com os outros, com a Terra e com a nossa própria interioridade.

Sobre Eduardo Blay

Eduardo Blay: médico, pós graduado em Administração de Empresas pela FAAP, mestrado em Economia e Gestão da Saúde pela UNIFESP, com experiência de mais de 20 anos como executivo em cargos de direção de Operadora e Seguradora de Saúde e em Hospital de primeira linha. Atualmente é consultor em saúde, diretor-sócio da Assector – Consultoria em Gestão de Saúde e Vice-Presidente de Marketing da ABDEH - Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar.

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