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Tem-se discutido, no mundo, a necessidade do engajamento do médico na agenda da qualidade (IHI, 2007) e as estratégias de governança clínica (VANU SOMV, 2004) nas instituições de saúde.
Não por menos, no Brasil percebe-se um aumento (ainda muito tímido) das instituições hospitalares com acreditação. Em um país onde se tem mais de 7 mil hospitais, ter menos de 200 acreditados (ANAHP, 2010) é realmente muito pouco. Na França, por exemplo, a acreditação hospitalar é uma condição de funcionamento do hospital (COMPAQH, 2011).
Com a duas Resoluções Normativas da ANS (RN 267 e RN 275) publicadas no final do ano passado, quero acreditar que aumentaremos consideravelmente os hospitais acreditados no Brasil, pois isso será, num primeiro momento, divulgado pelos planos de saúde aos seus beneficiários, e num segundo momento, quem sabe, utilizado como estratégia para remuneração diferenciada baseada na qualidade.
Sem sombra de dúvidas, a acreditação, quando conduzida de forma adequada, é muito bom para todos os envolvidos: hospital, plano de saúde e pacientes.
Agora, como envolver o médico nesta agenda?
Indiscutivelmente a avaliação de desempenho do corpo clínico, por mais desafiadora que pareça, é uma necessidade, para não dizer uma condição de termos um serviço com qualidade em todas as suas dimensões. Não se pode achar que apenas melhorando a estrutura e os processos de enfermagem, iremos garantir um serviço com qualidade. Obviamente que isso não é dispensável, muito pelo contrário.
Estamos vivenciando uma experiência muito gratificante de avaliação do desempenho do corpo clínico em um grande hospital em São Paulo, onde utilizamos o modelo P4P© como base do processo de avaliação. Vale lembrar que o modelo P4P© não é apenas para “pagar por performance”, mas sim para avaliar o desempenho de profissionais e serviços de saúde. Em função da nomenclatura P4P ter causado certo desconforto em algumas instituições, fomos estimulados a rebatizar o P4P© para GPS (Gestão da Performance em Saúde), um conceito mais abrangente, onde a metodologia e software P4P©
são utilizados como uma robusta ferramenta de avaliação de desempenho. A partir de agora, em vários materiais que produziremos, vocês verão a marca GPS.2iM® com mais freqüência.
Em breve publicaremos um artigo com os resultados preliminares do trabalho neste hospital. Antes da publicação, o trabalho será apresentado no P4P SUMMIT em Los Angeles, EUA no dia 20 de Março próximo (www.pfpsummit.com). Será uma grande responsabilidade representar o Brasil em uma mesa redonda onde participarão vários profissionais de destaque dos EUA e Inglaterra.
Por fim, a estratégia de avaliar o despenho de profissionais e serviços de saúde, não é apenas mais um modismo. É uma estratégia de gestão e de governança clínica que, assim como ocorre em vários países, ocorrerá no Brasil.
Cesar Abicalaffe é médico, possui mestrado em Economia da Saúde pela Universidade de York, MBA em Estratégia e Gestão Empresarial pela UFPR. Sócio diretor da Impacto Tecnologias Gerenciais em Saúde, com projetos de consultoria para Operadoras de Planos de Saúde e Hospitais no País. Autor do modelo P4P© para a implantação de programas de pagamento por performance para planos de saúde, hospitais e SUS. Foi Diretor Superintendente do Departamento de Assistência à Saúde do Governo do Estado do Paraná entre 2002 e 2005. Foi presidente fundador da SOMAP e do CONIASSP. E é membro da ISPOR
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