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Niguém para fiscalizar a saúde suplementar

12 de fevereiro de 2012 15:31

Quando escrevi que a ANS deveria ser quebrada em duas fui criticado (embora também elogiado), mas nenhuma crítica sugeriu alguma mudança que pudesse solucionar o problema do segurado do plano de saúde.

O que vou relatar aconteceu comigo – ninguém me contou – e demonstra o que acontece realmente em saúde suplementar no Brasil.

Contratei um plano para minha família. No processo de contratação analisamos a rede credenciada e tinham os hospitais e centros de diagnósticos que desejávamos. Como se tratava de uma migração não havia carência.

Fui agendar um exame de rotina e (surpresa !) o serviço não era credenciado (um daqueles serviços que analisamos para adquirir o plano).

Reclamamos com o corretor, e nada. Com a operadora, e nada … nem mesmo ‘uma dura’ no corretor foi dada.

Recorremos então ao site da ANS e ganhamos um nº de protocolo.

Passados alguns (muitos) dias a operadora entrou em contato confirmando que não havia cobertura e por esta razão estava encerrando o chamado na ANS !!!!!!!

Tentei verificar o que aconteceu na ANS e evidentemente fiquei sabendo que nada: acontece exatamente o mesmo que na ANATEL se você abre uma reclamação. Ganha um nº de protocolo e a reclamação é encaminhada a operadora responder em x dias.

No caso da ANS você nem pode acompanhar seu processo. Não que isso adiante alguma coisa porque na ANATEL você reabre o chamado, a operadora encerra, e seguidamente você vai fazendo isso até cansar e buscar a Justiça (já passei por isso também).

Quando cito que a ANS não pode ao mesmo tempo regular a relação entre operadora e segurado e entre operadora e serviço de saúde é por causa de eventos como este. Ela está muito ocupada resolvendo grandes problemas e o caso de um segurado como eu não tem importância, afinal já tem um nº de protocolo.

Provavelmente, e de forma hilária, meu caso entra na estatística da ANS como sendo um dos milhares de problemas que ela resolveu (sem qualquer tipo de interação !!!), e para provar meu número de protocolo deve estar na conta das reclamações que foram resolvidas já que foi encerrada pela operadora, e não das que não foram, porque não existe aferição do andamento por parte da ANS junto ao segurado.

Depois reclamam que a justiça é lenta, mas após cancelar o plano recém-adquirido e ter migrado para outra operadora vou abrir uma ação contra aquela medicina de grupo, e dar trabalho desnecessário ao Poder Judiciário porque a ANS ao invés de interagir e proteger os segurados de planos de saúde, fica administrando estatísticas de chamados em que o meu protocolo deve estar indevidamente classificado.

Jamais usaria meu blog para resolver meu problema particular, por isso não cito a operadora que mostrou ser conivente com a ‘máfia’ que vende seus planos e engana a população, mas uso o que aconteceu comigo para reiterar que o Brasil necessita pouco de uma agência que fica padronizando TISS e TUSS e mais de uma agência que esteja preocupada com a finalidade da saúde suplementar, que é prestar atendimento assistencial à população que não consegue através do sistema SUS.

Por acaso meu filho trabalha no fórum, e comentamos diariamente as atrocidades das ações que passam por lá, sendo planos de saúde ‘os campeões de audiência’, seguidos de perto pelas operadoras de telefonia.

Então, lamentando muito o cenário a que temos que nos sujeitar pela omissão da ANS, gostaria de dar meus parabéns ao Judiciário que injustamente é rotulado de ‘moroso’, e utilizar meu caso para mostrar que se você necessitar não vai encontrar ninguém para defender seus interesses, porque falta estrutura adequada para regular a saúde suplementar no Brasil.

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  • Renato Corrada

    Caro Enio,

    O que esperar de bom, num país onde os convênios passam diariamente por cima das normas do Conselho Federal de Medicina, glosando procedimentos médicos a todo instante ?
    Sabemos que o CFM é claro quando diz: “nenhuma instituição, pública ou privada, poderá intervir naquilo que o médico decidir, seja para diagnóstico ou tratamento do paciente…”, mas na prática não funciona assim. O Médico prescreve, o convênio glosa. E quem paga o pato ? O Médico, que não recebe, e o paciente que recebe menos ainda.

    Abraço

    Renato Corrada

Sobre Enio Salu

Formado em Tecnologia (UNESP), com pós-graduação em Administração Hospitalar (USP) e especialização em Epidemiologia Hospitalar (FGV). Foi CIO do Hospital Sírio Libanês e Furukawa, e desde 2005 é CEO da Escepti e atual assessor no InCor (FMUSP). Professor de Gestão de Contratos, Auditoria de Contas Hospitalares e Informática Hospitalar na FIA (FEA-USP). Ex membro do CATI-FGV e da NCMA (National Contract Management Association). Atual associado da FBAH (Federação Brasileira de Administradores Hospitalares), SBIS (Sociedade Brasileira de Informática em Saúde)e ASSESPRO.

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