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Os desafios da Medicina Intensiva
Por Ciro Leite Mendes*
Essa é minha coluna de estreia neste espaço. E estreias sempre geram certa expectativa.
Fui convidado e fiquei muito lisonjeado com a oportunidade de escrever sobre Medicina Intensiva e os desafios da especialidade e de seus especialistas para um público tão exigente e sempre disposto a receber novas informações. Quero, a partir de agora, usar este espaço para abordar os vários temas da Medicina Intensiva e assim vou começar com um pouco de história.
A Medicina Intensiva é praticada no Brasil há mais de 30 anos. Começamos devagar e, durante muito tempo, poucos hospitais contavam com uma Unidade de Terapia Intensiva. E a simples menção da sigla UTI era suficiente para causar arrepios em quem quer que seja. UTI era sinônimo de corredor da morte. Ao falar que um paciente ou familiar estava na UTI era comum ouvirmos que ele “estava nas últimas”, que estava chegando ao fim e que dificilmente sairia de lá.
Mas, nestas três décadas, muita coisa mudou. Tivemos avanços importantes e hoje as UTIs, aos poucos, passaram a ser encaradas como lugar de cuidados intensivos, o local mais bem equipado de um hospital e preparado para receber e tratar pacientes críticos. E os números provam isso, atualmente, entre 80% e 85% dos pacientes que passam por uma UTI saem de lá com vida.
Não é a toa que a falta de leitos de UTI é pauta constante nos veículos da imprensa. De um lado pacientes se queixam das filas de espera por um leito e por atendimento de qualidade em hospitais de todo Brasil. Do outro lado médicos intensivistas lutam por melhores condições de trabalho, por uma remuneração digna e pelo reconhecimento da especialidade.
Sim, caros leitores, desde 1992 a Medicina Intensiva é uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. Prestes a completar 20 anos de reconhecimento seguimos lutando pela defesa do profissional e, aos poucos, o Intensivista vai conquistando seu espaço.
Atualmente somos mais de 6 mil médicos intensivistas titulados em todo Brasil. Emcada região, diferentes realidades e desafios, mas sempre um mesmo objetivo: atender pacientes com qualidade e oferecer as melhores condições para a plena recuperação.
E é sobre esses desafios que pretendo falar daqui pra frente. Quero que este espaço seja usado de forma democrática para que a Medicina Intensiva esteja sempre em pauta. Conto com vocês.
* Chefe Médico da UTI Adulto do Hospital Universitário – UFPB – João Pessoa. Professor da disciplina de Medicina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da FAMENE – João Pessoa. Presidente da Sociedade Paraibana de Medicina Intensiva 2006- 2010. Coordenador dos Cursos do Fundo AMIB – Biênio 2008-2009. Presidente da Comissão de Título de Especialista da AMIB 2010-2011. Membro da Câmara Técnica de Medicina Intensiva do CRM-PB desde 2008.
DR. CIRO LEITE MENDES: Chefe Médico da UTI Adulto do Hospital Universitário - UFPB - João Pessoa. Professor da disciplina de Medicina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da FAMENE - João Pessoa. Presidente da Sociedade Paraibana de Medicina Intensiva 2006- 2010. Coordenador dos Cursos do Fundo AMIB - Biênio 2008-2009. Presidente da Comissão de Título de Especialista da AMIB 2010-2011. Membro da Câmara Técnica de Medicina Intensiva do CRM-PB desde 2008.
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